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CASO ISABELLE CARACRISTI: Silêncio, Contradições e Perguntas sem Resposta na Aldeota

FORTALEZA — Na noite do último domingo, 13 de setembro, o pátio do Condomínio La Piazza, localizado no nobre bairro da Aldeota, tornou-se o centro de um mistério que mobiliza a capital cearense. A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta nas dependências do edifício. O caso ganha contornos de urgência e comoção social à medida que novos fatos apontam para lacunas graves na comunicação do ocorrido e comportamentos atípicos por parte do círculo próximo da vítima.
As Últimas Horas e as Mensagens Estranhas
Segundo relatos de familiares, Isabelle havia passado parte do fim de semana na residência da mãe, Isorlanda Caracristi, em razão de dores no pescoço. No domingo, a jovem informou que iria a um compromisso religioso com o namorado — um bacharel em Direito de 33 anos — e os familiares dele, retornando em seguida ao condomínio onde morava com o companheiro.
Por volta das 19h, a estudante enviou duas mensagens curtas à mãe:
1. Uma orientação sobre um alimento deixado na air fryer;
2. Um texto direto: "Mãe, eu te amo".
A ausência do habitual "boa noite", que a jovem costumava enviar diariamente, causou estranheza à família. Na manhã de segunda-feira (14), ao tentar contato sem sucesso tanto com a filha quanto com o genro, a mãe seguiu até o prédio. Foi somente ao chegar ao local e falar com a administração do condomínio que soube que Isabelle havia sido encontrada sem vida por volta das 20h40 da noite anterior e que o corpo já havia sido recolhido pela Perícia Forense.
Relacionamento Relâmpago e Apagão Digital
O relacionamento entre Isabelle e o namorado durava poucos meses. Ambos se conheceram no fim de julho, em um escritório de advocacia onde a jovem havia iniciado um estágio. O homem atuava no setor administrativo do estabelecimento, segundo nota emitida pelo escritório, que informou ainda que a estudante trabalhou na empresa por cerca de três semanas antes de solicitar desligamento por motivos pessoais.
Em depoimento à imprensa, a mãe de Isabelle descreveu o namorado como uma figura de comportamento "controlador, obsessivo e agressivo". Relatos apontam que ele teria chegado a pedir o cartão de crédito da estudante emprestado e manifestado a intenção de abrir uma empresa no nome dela.
Logo após o ocorrido, o homem bloqueou os familiares de Isabelle nas redes sociais e, nos dias seguintes, desativou suas contas na internet. Nem ele nem os familiares que residiam no mesmo endereço compareceram ao velório ou ao sepultamento da jovem.
O Que Dizem as Imagens e a Perícia
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) constatou que a causa física da morte decorreu de trauma por impacto contra o solo. Exames preliminares deram resultado negativo para presença de substâncias tóxicas ou medicamentos de interesse analítico no organismo da vítima.
Câmeras de segurança do edifício mostram a jovem subindo em direção à área do terraço (rooftop). A movimentação registrada pelas câmeras também indica que, no momento exato da queda, nem o namorado nem a mãe dele estavam no prédio. O condomínio afirmou ter entregue todas as imagens das áreas comuns e registros do circuito interno à Polícia Civil.
O Andamento das Investigações
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do caso. Pelo menos oito pessoas já foram intimadas ou prestavam depoimentos, incluindo familiares da vítima, funcionários do condomínio e conhecidos do casal.
Enquanto os laudos complementares da Perícia Forense são aguardados para definir oficialmente a dinâmica do fato, familiares, amigos e movimentos sociais organizam atos em Fortaleza cobrando celeridade e respostas definitivas.
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