Entre a riqueza do Porto e a seca nas torneiras: desabastecimento de água gera indignação em São Gonçalo do Amarante
Moradores de bairros e localidades como Lagoinha e Anacetaba denunciam falhas frequentes no fornecimento básico e cobram respostas sobre o contraste entre a arrecadação do município e a infraestrutura urbana.

SÃO GONÇALO DO AMARANTE — O recorrente desabastecimento de água em localidades como Lagoinha e Anacetaba voltou a provocar indignação e protestos entre os moradores de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. A interrupção no fornecimento não é um fato isolado e tem se repetido com frequência, afetando a rotina de famílias, pequenos comércios e serviços básicos na região.
A insatisfação popular expõe um contraste marcante na cidade. Considerado um dos municípios com maior Produto Interno Bruto (PIB) e arrecadação do Ceará — impulsionado pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) —, São Gonçalo do Amarante enfrenta gargalos históricos no acesso a serviços essenciais. Para a população local, a narrativa de crescimento econômico e atração de grandes investimentos contrasta com as dificuldades diárias impostas pela falta de saneamento e infraestrutura.
Os moradores cobram posicionamentos urgentes e soluções definitivas por parte da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e da administração municipal. Segundo relatos de quem vive nas áreas afetadas, a falta de previsão para a normalização do serviço força o uso de reservatórios improvisados e o apoio de carros-pipa, gerando custos adicionais e prejudicando a qualidade de vida.
