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Raio-X do Congresso: 75% dos deputados novatos enriqueceram no primeiro mandato

2 min de leituraPor Paulo Henrique
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Raio-X do Congresso: 75% dos deputados novatos enriqueceram no primeiro mandato

Levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta oscilações extremas e saltos milionários nas declarações de bens do grupo que estreou em Brasília em 2022. 

Dos 202 deputados federais que assumiram o primeiro mandato na Câmara em 2022 e tentam a reeleição em 2026, 152 viram seu patrimônio declarado crescer ao longo dos quatro anos de legislatura. Dentre estes parlamentares, 57 acumularam um acréscimo superior a R$ 1 milhão. As oscilações individuais no período chegam a ultrapassar a marca dos R$ 33 milhões, segundo levantamento feito a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O caso de maior destaque é o do deputado Neto Carletto (Avante-BA). Ao disputar sua primeira vaga na Câmara Federal em 2022, o parlamentar declarou um patrimônio de R$ 591 mil. Já em 2026, o montante subiu para R$ 34,3 milhões — uma variação positiva de cerca de R$ 33,7 milhões. Questionado sobre a evolução, o deputado justificou que o acréscimo expressivo decorre do recebimento de uma herança da família, repassada por seu pai, o ex-deputado federal Ronaldo Carletto.

*Valores de 2022 atualizados pela inflação para a base de agosto de 2026. 

Desvalorização e queda de patrimônio

Na direção oposta, uma parcela de parlamentares registrou queda vertiginosa nos bens declarados. O caso mais acentuado foi o de Jorge Goetten (Republicanos-SC), cujo patrimônio baixou de R$ 6,6 milhões em 2022 para R$ 1,1 milhão em 2026 — uma redução de R$ 5,5 milhões. 

Dinâmica semelhante ocorreu com Filipe Martins (PL-TO), que reduziu seus bens declarados de R$ 4,6 milhões para R$ 1,5 milhão, e Raimundo Santos (PSD-PA), com queda de R$ 4 milhões para R$ 1 milhão. 

A análise focou nos deputados que estrearam na política federal em 2022. Para assegurar uma comparação metodológica precisa entre as duas campanhas, os valores declarados há quatro anos foram corrigidos com base nos índices oficiais de inflação aplicados até agosto de 2026. Embora oscilações patrimoniais acentuadas acendam o alerta para fiscalizações dos órgãos de controle, especialistas ressaltam que a variação por si só não configura irregularidade, dependendo da comprovação de receitas, heranças, venda de ativos ou variações de mercado.

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