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POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA SUPOSTO ESQUEMA DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO STF COM RAMIFICAÇÕES NO CEARÁ

2 min de leituraPor Paulo Henrique

Operação apura negociações ilícitas de decisões judiciais e contratos milionários envolvendo escritórios e agentes políticos no Estado; PF ressalta que ministros não são alvos.

POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA SUPOSTO ESQUEMA DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO STF COM RAMIFICAÇÕES NO CEARÁ

A Polícia Federal (PF) deflagrou etapas decisivas de uma operação de âmbito nacional para apurar a existência de um suposto esquema criminoso focado no tráfico de influência, exploração de prestígio e corrupção envolvendo processos em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos cumpridos pelas equipes de investigação, foram identificadas conexões diretas no Ceará. 

De acordo com as apurações, o grupo atuaria negociando a facilitação ou intermediação de decisões judiciais na Suprema Corte. No Estado do Ceará, os mandados e diligências da PF miraram a assinatura de contratos e parcerias advocatícias suspeitas, incluindo uma cifra que chega a R$ 1,5 milhão ligada a atos representados junto ao STF. As investigações no Ceará indicam o envolvimento de escritórios de advocacia locais, além de citações a agentes políticos do Estado — entre eles, uma prefeita e um deputado.

O modus operandi sob suspeita

Os relatórios policiais apontam que o grupo utilizava a proximidade e o trânsito com gabinetes da Alta Corte para vender a promessa de direcionamento e acesso a pedidos formulados pelas partes processuais. Em diálogos interceptados durante a investigação, intermediadores prometiam contatos pessoais e diretos com magistrados e assessores na tentativa de obter vantagens e influenciar julgamentos.

Apesar do impacto das revelações, a Polícia Federal e os órgãos de controle enfatizam categoricamente que nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal é alvo direto de busca ou condenação até o momento. A apuração se concentra na conduta de advogados, lobistas e intermediários que usavam indevidamente o nome de magistrados para chantagear ou captar honorários exorbitantes sob a falsa promessa de “comprar” decisões.

O lado das defesas

Procuradas para se manifestar sobre os contratos e atuações citados nos autos, defesas ligadas aos alvos no Ceará negam veementemente qualquer irregularidade. Advogados atuantes no caso declararam que as petições foram instruídas formalmente dentro dos autos e que o recebimento de honorários decorre do exercício regular da profissão. Defendem, ainda, que a atividade advocatícia não pode ser criminalizada por ilações de terceiros. 

Desdobramentos

As apurações continuam em segredo de Justiça. A Polícia Federal analisa o material apreendido nos endereços cearenses — que inclui mídias digitais, documentos contratuais e dispositivos eletrônicos — para determinar o alcance real da organização e verificar se houve repasse efetivo de valores a agentes públicos ou se o esquema se limitava ao estelionato e exploração de prestígio praticados por advogados e intermediários.

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